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Nos EUA, Lula defende etanol e critica tarifas sobre o combustível  

17/03/09 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou o discurso durante o almoço do seminário "Brazil: Global Partner in a New Economy" para condenar o protecionismo americano ao etanol brasileiro e para defender novos rumos para o capitalismo mundial. Lula seguiu seu discurso à risca até o momento em que falou do álcool combustível, interrompendo-o para lançar uma longa crítica ao protecionismo e, principalmente, à tarifação do etanol. "Como é que um combustível poluente como o petróleo entra no país sem tarifa de importação enquanto o álcool, bom para o meio ambiente, é tarifado em US$ 0,54 o galão?".

De resto, seguiu o roteiro discursivo apresentado por outros integrantes do governo nesta última viagem à Nova York: o país está forte, se comparado a outros momentos históricos de crise na economia mundial, o sistema bancário é sólido e o governo fará de tudo para manter o crescimento econômico do país.

O discurso do presidente também pode ser analisado como um pequeno manifesto de seu governo e do papel de liderança que o Brasil reivindica em meio aos países emergentes, num momento em que a presença do governo na economia, antes condenada, se tornou o recurso de última instância para bancos e outras empresas do setor financeiro.

Lula conclamou os líderes mundiais a adotar medidas coordenadas para lidar com a crise econômica: "É importante que o G20 renovado seja duradouro, até porque ele é integrado pelos países em desenvolvimento, que não são responsáveis pela crise, mas que certamente contribuirão para que seja superada. O Brasil levará propostas concretas à cúpula de Londres". Lula sugeriu uma maior democratização do FMI, com a mesma vigilância que antes era exercida sobre os países pobres também seja estendida para os países ricos: "Poderá até dispensar a arrogância que muitas vezes demonstrou no passado", alfinetou.

Com seu caraterístico bom humor, Lula disse que se contasse antes com uma apresentação como a feita pelo editor-chefe do Wall Street Journal, Robert Thompson, "não teria perdido três eleições", e alertou aos participantes que seu discurso provavelmente seria "a parte mais chata da conferência, então por favor não joguem facas ou sapatos em mim".


Patrick Brock - 16/03
Fonte: The Wall Street Journal

    



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