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29/07/10 - A empresa Algae Biotecnologia anunciou que pretende lançar comercialmente no Brasil, dentro de 5 anos, um biocombustível a base microalgas, destinado ao mercado da aviação. O projeto piloto está sendo preparado para ter início em 2013.
O anúncio foi feito no 1° Seminário Microalgas, que aconteceu recentemente em São Paulo, realizado pela própria Algae Biotecnologia, empresa que cultiva microalgas no Brasil. A Algae integra o Grupo Ecogeo, que inclui empresas de remediação ambiental, mercado de carbono e energias renováveis.
De acordo com a assessoria da empresa, ainda não existe um indústria de biocombustíveis a base de microalgas no Brasil e a Algae está reunindo conhecimentos e tecnologias para iniciar um projeto piloto dentro de três anos.
Em 2009, a Algae recebeu um investimento de R$ 5 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), da Finep (Agência Financiadora de Estudos e Projetos) e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
As microalgas são microorganismos cultivados inicialmente em reatores onde são alimentadas por nutrientes e CO2 para que sua população dobre a cada dois dias. O resultado é uma grande quantidade de biomassa rica em óleo que pode ser extraído e transformado em biodiesel e bioquerosene para aviação.
Além de serem matéria-prima para a fabricação de biocombustíveis, esses microorganismos pode contribuir para a mitigação do efeito estufa, já que assimilam o CO2 da atmosfera por meio da fotossíntese e seu cultivo pode aproveitar os subprodutos de atividades agrícolas como substrato.
"O cultivo de microalgas pode ser integrado a usinas de açúcar e álcool, com a utilização de subprodutos da produção do etanol, como a vinhaça. Esta integração permite a economia de insumos fósseis para a produção de biodiesel de microalgas", destaca Reinaldo Bastos, professor do Centro de Ciências Agrárias, da Universidade Federal de São Carlos.
A biomassa bruta originada nos cultivos de microalgas pode ser utilizada como substrato para biodigestores gerando biogás e biofertilizantes ou na alimentação animal, já que o material contém proteínas, explicou Sérgio Goldemberg, gerente técnico da Algae Biotecnologia.
Esses microorganismos também podem ser usados no tratamento de águas residuais de processos industriais, como a desintoxicação biológica e remoção de metais pesados.
"O cultivo de microalgas integrado às Estações de Tratamento de Efluentes ajuda na despoluição", afirmou o pesquisador Paulo Vagner dos Santos, da Universidade de São Paulo (USP).
1° Seminário Microalgas
O 1° Seminário Microalgas teve como propósito reunir pesquisadores e divulgar as possibilidades tecnológicas e econômicas do uso dessa matéria-prima como a produção de biocombustíveis, as possibilidades tratamento de efluentes e a retirada carbono da atmosfera.
Durante o encontro, que reuniu pesquisadores de universidades brasileiras e estrangeiras, Maria Ghirardi, professora da Colorado School of Mines falou sobre os avanços obtidos no Laboratório Nacional de Energias Renováveis (NREL, sigla em inglês), instituição norte-americana considerada uma das pioneiras em pesquisas com microalgas para produção de biocombustíveis.
A busca por energia alternativa têm sido uma constante em muitos países e segundo a professora, nos EUA as pesquisas com microalgas têm como objetivo a produção de hidrogênio.
"O gás hidrogênio oferece grandes vantagens por ser renovável, ter uma combustão limpa, já que seu único resíduos é a água e principalmente porque sua produção não concorre com a agricultura", disse a professora.
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