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31/08/12 - A taxa de ocupação média de cada automóvel que circula pelas ruas de São Paulo, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) é de 1,2 passageiro. Sem levar em conta as preferências de cada um, é fácil concluir que a maioria dos que usam veículos de quatro rodas poderia trafegar em motocicleta. Nesse contexto, não seriam os motociclistas os culpados por invadir o espaço dos carros, mas o contrário.
"A moto transformou-se no veículo de inclusão social", resume o diretor da Associação Brasileira da Indústria Brasileira de Motociclos, José Eduardo Gonçalves. É por isso que a presença de motorizados sobre duas rodas é cada vez mais visível não só nos estreitos espaços das ruas das metrópoles como também nas cidades mais distantes dos centros urbanos.
Na última década, a frota de motocicletas brasileira aumentou 3,4 vezes. Segundo dados da Abraciclo, consumidores das classes D e E, que recebem até seis salários mínimos, compraram 48% das quase 2 milhões de motocicletas vendidas em 2011 no país, que já é o quinto maior mercado do mundo.
Nenhum candidato a prefeito furta-se da obrigação de buscar propostas para que a moto se transforme em um meio de transporte tranquilo e não só um componente a mais no estresse dos congestionamentos ou motivo de mortes no trânsito.
Praticamente todos defendem a necessidade de intensificar campanhas de educação e de tornar obrigatório o treinamento em direção defensiva para os que se aventuram nas duas rodas. Ainda restam dúvidas, porém, em relação à criação de faixas exclusivas para motociclistas, experiência testada em São Paulo.
Na tentativa de reduzir o número de acidentes, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) criou duas motofaixas. Quando se reelegeu, em 2008, prometia construir mais. Desistiu, no entanto, depois de acidentes provocados por carros que invadiam a faixa.
O candidato Celso Russomanno (PRB) diz que o problema é de formação dos motoristas e defende as motofaixas. "Não vamos parar um projeto por causa dos acidentes que ocorreram porque não foi respeitada a sinalização", afirma. Segundo a CET, o total de mortes no trânsito caiu 12% de 2007 a 2011. Já o número de motoqueiros mortos no trânsito aumentou 9,9% no mesmo período.
José Serra (PSDB) argumenta que, com o aumento no número de motocicletas, a chance de acidentes também cresce, por isso justifica-se a restrição a motos em vias expressas. Dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) mostram que o número de motos da cidade chegou a 948,5 mil em maio deste ano, 43,9% mais do que em janeiro de 2008.
Soninha Francine (PPS) afirma que nunca viu nenhum dado que confirme o aumento no número de acidentes por causa da criação da motofaixa na avenida Sumaré. Fernando Haddad (PT) defende aulas de educação no trânsito e Gabriel Chalita (PMDB) diz que nas conversas que teve com técnicos da CET soube que 50% das motos possuem irregularidades como falta de licenciamento ou problemas de manutenção. Segundo ele, os técnicos apontam que seria possível, em um ano, diminuir pela metade os acidentes com vítimas se houvesse fiscalização para coibir o uso de álcool e drogas e verificar a condição dos veículos.
Segundo a Abraciclo, dados do Hospital das Clínicas indicam que 35% dos motociclistas que chegam ao HC acidentados apresentam ter consumido bebida alcoólica ou drogas. A Abraciclo vai iniciar um trabalho em parceria com o próprio HC, Polícia Militar, CET e outros agentes do trânsito para pesquisar as causas de acidentes com motos. Por enquanto, não existe no Brasil nenhum estudo nessa linha.
Mas os fatos do cotidiano são suficientes para indicar que a "irresponsabilidade dos jovens motociclistas" não é o único motivo dos acidentes. Tampas de bueiros, que, muitas vezes, ficam cada vez mais distantes do pavimento, à medida que se faz o recapeamento do asfalto, é um dos problemas, segundo Gonçalves, da Abraciclo. Outro problema, diz, é que nem sempre o produto utilizado para pintar faixas nas ruas evita a derrapagem das motocicletas.
Em Porto Alegre, os candidatos debatem sobre a pressão exercida pelas empresas de tele-entrega. "Os motoboys estão submetidos a uma intensa cobrança pelo tempo", diz o petista Adão Villaverde, que propõe parcerias entre a prefeitura e os governos estadual e federal para fiscalizar as condições de trabalho. Segundo o Detran-RS, 25% dos 1,5 milhão de motoqueiros habilitados em todo o Estado exercem atividade remunerada com o veículo.
Mas se o motociclista ainda é visto por alguns como aquele que amola os que trafegam em carros, é bom saber que alguns maus hábitos do piloto do automóvel também atrapalham quem circula sobre duas rodas.
Numa recente apresentação, motociclistas apontaram o uso do aparelho celular pelo motorista do carro como um grande problema. Segundo relataram, o piloto do carro se distrai, às vezes nem percebe a moto ao lado, "principalmente quando usa o celular para digitar mensagem de texto".
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