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A Hora e a Vez do Carro Elétrico! Mas, que Carro Elétrico é melhor para o Brasil?  

03/10/2017 - No mundo pós-Guerra, desenvolveram-se estruturas Sociais, Empresariais e Governamentais, que passam a estabelecer regras e comportamentos, através de acordos bilaterais e multilaterais, sempre focando na harmonia entre os povos, suprimento das necessidades humanas, desenvolvimento econômico e social, com redução das desigualdades, apoiado no aumento das relações culturais e comerciais entre os países.

Porém, na última década, mesmo com o fim da Guerra Fria, assistimos constantemente conflitos, com ações terroristas, sinalizando claramente a instabilidade existente em partes do mundo, muitas vezes resultado de excessos das intervenções externas.

As diferenças ideológicas, religiosas e culturais, dificultam a criação de compromissos globais de longo prazo, que contemplem o equilíbrio dos interesses, condição fundamental para a credibilidade e sustentação política dos tratados.

As forças estabelecidas pelo poder econômico das nações mais desenvolvidas, com maior capacidade de negociação, tornam-se obstáculos para a busca do equilíbrio utópico, uma vez que quem concede sempre valoriza mais o que perde que o que recebe.

Atualmente, grandes nações sinalizam claramente intenções no sentido inverso da evolução das relações, criando barreiras e dificuldades que alimentam o enfurecimento dos descontentes.

Muitas regiões do Mundo já são insustentáveis em relação à água, recurso natural mais básico para a vida. Outras, dependem fundamentalmente do outro lado do mundo, para alimentar sua gente. Portanto, temos desafios importantes para tratar, de maneira responsável e sensata.

O desenvolvimento econômico e social vivenciado nas últimas décadas, tem seus efeitos colaterais, que necessitam visão de longo prazo global, que suportem políticas internacionais coerentes localmente e integradoras globalmente.

Em 2050 a população mundial estimada será de 9 bilhões de pessoas. O consumo de energia está diretamente relacionado com o desenvolvimento, portanto, é de se esperar que o consumo de energia cresça mais que o crescimento populacional.

Também está cientificamente comprovado que o consumo de energia está diretamente relacionado à qualidade do ar que respiramos, portanto, inversamente proporcional às condições de saúde.

Torna-se imperioso buscarmos soluções que minimizem estes impactos.

As diretrizes para estas políticas foram discutidas durante a COP 21, em Paris, estabelecendo metas de reduções nas emissões de carbono para as nações.

Como garantir as reduções de emissões em um mundo com maior número de pessoas, consumindo mais energia? Podemos citar duas rotas que em conjunto podem minimizar o impacto negativo do desenvolvimento: redução de consumo, com tecnologias propulsoras mais eficientes; matriz energética de fontes limpas e renováveis.

Provavelmente soluções distintas serão implementadas em cada região do Planeta, mesmo porque existem condições muito diversas em cada parte do mundo.

Precisamos pensar soluções para o Brasil, mais adequadas a nosso País, mesmo que estas tenham dificuldades de serem replicadas em outras partes do mundo.

Constantemente ouvimos dizer que o maior problema do Brasil, é exatamente a falta de condições adversas, sem frio excessivo, sem calor excessivo, sem terremoto, sem furacão, etc.

Além destes fatores, somos a mais importante economia tropical do mundo, com enorme potencial de produção de alimentos e biomassa, além da riqueza em água.

Diferentemente das maiores economias do mundo, já implementamos uma solução invejada pelo mundo, com o etanol para uso automotivo, substituindo quase metade da gasolina veicular.

Atualmente a indústria automotiva mundial está debruçada na busca de soluções para aumentar a eficiência dos motores e alternativas para massificar veículos elétricos. É preciso uma análise técnica bem fundamentada para cada solução estudada, observando-se a eficiência e as emissões.

Estudos indicam as seguintes tecnologias: Carro híbrido, com motor a combustão e motor elétrico, com bateria de recarga automática; Carro elétrico, Plun-in, com motor elétrico e banco de baterias, necessita tempo para recarga; Carro elétrico movido a célula de combustível.



Com relação às emissões, o carro movido a etanol, é uma solução muito próxima do ideal, mesmo com motor a combustão, atualmente 45g CO2 e/km.

Atualmente os carros elétricos Europeus, emitem 75g CO2 e/km, com previsão para 40g CO2 e/km em 2040, quando espera-se ter uma matriz de geração elétrica mais limpa.

Ou seja, o carro movido a etanol atualmente tem níveis de emissões 40% abaixo das emissões dos carros elétricos Europeus.

As melhores soluções quanto às emissões, são: Carro híbrido utilizando etanol; Carro elétrico consumindo energia elétrica de fonte renovável; Carro movido à célula de combustível, utilizando etanol. Todas estas alternativas emitem cerca de 17g CO2 e/KM, 58% menos que as emissões dos carros elétricos europeus, de acordo com a matriz de geração prevista para 2.040 em toda Europa.

Com relação ao consumo, teremos a seguinte evolução em relação ao motor à combustão: com o carro híbrido 30% menos; carro elétrico 50% menos; célula de combustível 52% menos.

Portanto, se quisermos contemplar os principais fatores, consumo e emissões, a melhor solução é célula de combustível, a segunda opção é carro elétrico movido à energia renovável e a terceira opção é o carro híbrido movido à etanol.

O grande obstáculo para as alternativas que utilizam etanol, é, principalmente, a rede de abastecimento, problema já resolvido no Brasil. Portanto, o Brasil poderá ser o único país do mundo a prover as melhores soluções ambientais e tecnológicas para uso automotivo.

É preciso conhecermos as tecnologias disponíveis e em desenvolvimento, seus impactos e suas limitações.

Somente assim seremos capazes de fazer nossas melhores escolhas, que respondam aos nossos interesses e respeitem nossas vocações.

Acreditamos na necessidade do desenvolvimento de tecnologia para os carros elétricos, superando obstáculos principalmente relacionados às baterias; custo, autonomia, disposição final e vida útil. Soluções certamente surgirão com o desenvolvimento de materiais mais adequados, abundantes, baixo custo e inertes ao Meio Ambiente.

Com políticas de longo prazo bem definidas, recursos serão adequadamente alocados, pesquisas melhor direcionadas e mão de obra corretamente qualificada.

O Brasil pode antecipar o prazo para cumprimento das metas estabelecidas durante a COP21 e tomar a frente nas questões internacionais relacionadas à energia e Meio Ambiente.

O Brasil continuará a mostrar ao mundo sua competência na superação dos obstáculos tecnológicos, desenvolvendo tecnologias automotivas e combustíveis limpos e renováveis, adequados ao seu tempo, mantendo nosso papel protagonista que nos condecorou com respeito internacional.

É preciso compensar o povo brasileiro, valorizar nossa contribuição para a vida do Planeta, preservando a Amazônia e dispondo da matriz energética mais limpa e sustentável do mundo.

Celso Torquato Junqueira Franco
Presidente da UDOP
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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