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Nova safra, desafios antigos  

11/05/2018 - A safra brasileira de cana-de-açúcar 2018/19 já começou. Assim, como em todo início de safra, há muita expectativa em torno do que vivenciaremos em termos de preços, produção de açúcar e etanol e rentabilidade. Apesar das incertezas, as primeiras estimativas indicam que alguns desafios do passado permanecem e, com isso, é necessário avaliar com atenção para traçar as estratégias corretas do novo ciclo.

A moagem de cana da região Centro-Sul deve ser de 577 milhões de toneladas, menor volume das últimas cinco safras, segundo a Datagro. A expectativa de uma safra menor se deve ao envelhecimento dos canaviais, à estagnação de produtividade e à redução da área de cultivo.

No estado de São Paulo, principal produtor brasileiro de cana-de-açúcar, a redução da área é consequência da devolução de terras arrendadas e da rescisão de contratos com fornecedores que produzem em locais distantes das unidades industriais e/ou com baixa produtividade. A redução da quantidade de produtores, mantendo os mais eficientes, por sua vez, é resultado da queda na rentabilidade do setor na safra 2017/18, decorrente do aumento nos custos de produção e do baixo preço do açúcar. Em março deste ano, o açúcar cristal, por exemplo, teve a menor média mensal do preço do indicador Cepea/Esalq em termos reais dos últimos 10 anos.

A expectativa é que os preços do açúcar na safra 2018/19 mantenham essa tendência de baixa. Há consenso de que vivenciaremos, novamente, uma temporada de superávit global de açúcar. Segundo a Associação das Usinas de Açúcar da Índia, as chuvas em novembro e dezembro de 2017 ajudaram a recuperar a produtividade dos canaviais do país, elevando a oferta mundial da commodity. Na Tailândia, os níveis de produção esperados são recordes. Com a ampla oferta e preços baixos, a Datagro estima que a produção brasileira de açúcar deve cair pelo menos 5 milhões de toneladas na safra 2018/19. Isso pode tornar o mix brasileiro do açúcar o menor dos últimos anos.

No caso do etanol, a INTL FCStone estima a produção total de 27,1 bilhões de litros, sendo 16,4 bilhões de litros de etanol hidratado e 10,7 bilhões litros de anidro, aumento de 7,2% e 2,2%, respectivamente. O aumento da produção de etanol deve ser fruto do mix mais alcooleiro e da maior demanda do mercado nacional, que vem sendo estimulada pelo aquecimento da economia e pela diferença maior entre a alíquota de PIS/Cofins do etanol em comparação com a gasolina.

Mesmo sabendo que a oferta e a demanda interna estão aquecidas, ainda há incerteza sobre o comportamento dos preços do biocombustível no Brasil. Variáveis como o preço do petróleo e o preço do etanol de milho dos Estados Unidos devem ser consideradas. Se o preço do petróleo continuar nos atuais patamares e o etanol de milho dos Estados Unidos não inundar o nosso mercado, o setor poderá recuperar parte da rentabilidade perdida com o preço baixo do açúcar.

Em períodos como este, nos quais enfrentamos desafios em relação aos preços, margens e consequente endividamento, é fundamental traçar estratégias focadas no planejamento financeiro e tributário para gerir os custos, aproveitar os incentivos fiscais e melhorar a produtividade.

A gestão é essencial em qualquer negócio e se torna um imperativo nos momentos mais desafiadores. Para o setor sucroenergético, será vital para virar a página, superar esses obstáculos e aproveitar as oportunidades que estão por vir, sobretudo, em virtude do RenovaBio, programa que promete trazer inovação e dar novos direcionamentos para o setor.

Ana Malvestio e João Gambardella
Sócia da PwC Brasil e líder de Agribusiness e Especialista de agribusiness da PwC Brasil, respectivamente
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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