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11/11/2019 - No último dia 31 de outubro, o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), que é a FAO do continente americano, realizou em sua sede, em São José da Costa Rica, a Conferência de Ministros de Agricultura de todos os países das Américas chamada Junta Interamericana de Agricultura (JIA). O tema central do evento foi a segurança alimentar global e como a tecnologia contribuirá para isso.

Mais uma vez foi evidenciado o grande desafio da humanidade no século 21 do qual quase um quinto já decorreu: compatibilizar a oferta de alimentos a uma população crescente e mais capitalizada (sobretudo na Ásia e nos países emergentes de outras regiões) com a preservação dos recursos naturais.

E de novo ficou claro que a tecnologia é a saída para isso, o que exige atenção especial por parte dos governos. Mas também do setor privado.

O documento do IICA que orientou os trabalhos trouxe uma inovação a esse respeito: o desafio referido é tão extraordinário, que passará a ser um dos mais relevantes temas das organizações multilaterais e também das sociedades pelo mundo a fora, sobretudo as urbanas.

Com isso, a agricultura, até recentemente considerada como uma espécie de atividade de "segunda classe", de modo que até os Ministérios da Agricultura eram tidos como de segunda linha, passaria a ter um papel de protagonista nas políticas globais oficiais e a ser objeto de atenção de todos os povos.

A tese faz todo sentido.

No começo desta semana houve outro evento, desta vez na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que discutiu as inovações da chamada Agricultura 4.0, e o prestigiado físico Silvio Crestana (que presidiu com galhardia a Embrapa) mostrou um verdadeiro "tsunami" de inovações tecnológicas que se aproxima, passando pela digitalização, conectividade, internet das coisas, inteligência artificial, bioeconomia, biotecnologia, nanotecnologia, drones, automação, tudo em busca da sustentabilidade geradora de competitividade.

Ficou claro, então, que a soberania de um país passa por segurança alimentar, segurança energética e segurança territorial.

No caso brasileiro, a atividade rural tem responsabilidade nos três pontos. Sobre segurança alimentar não há o que comentar, a não ser a expectativa do mundo quanto ao nosso compromisso de contribuir de forma expressiva com isso em nível internacional.

Quanto à segurança energética, sabe-se que nosso País tem 43% de energia renovável em sua matriz, enquanto a mundial é de apenas 14%, o que nos dá uma vantagem comparativa considerável quanto às emissões de gases de efeito estufa.

Mas o que pouca gente sabe é que 17% da nossa matriz energética vem da cana-de-açúcar (seja pelo etanol, seja pela bioeletricidade produzida do bagaço e das folhas) enquanto a parcela das hidrelétricas chega a apenas 12%!

E agora, com o biodiesel e o etanol de milho, a agroenergia terá ainda maior participação na nossa energia renovável, por mais petróleo que viermos a tirar do pré-sal.

E quanto à ocupação do território, é óbvio que o caminho mais rápido e eficiente é dado pela atividade agropecuária e florestal.

Portanto, dois interessantes eventos que se complementam no Brasil: a agropecuária ganhará maior importância a nível global, e a nossa terá relevância na garantia de nossa soberania.

Por fim, o pacto federativo lançado pelo governo no meio desta semana aponta para um país mais liberal, o que sem dúvida é altamente positivo para nossa agropecuária e nosso agronegócio, supercompetitivos e sustentáveis.

Agora só precisamos gerar e implementar as tecnologias da Idade 4.0 para seguir alimentando, vestindo e energizando o mundo.

*Texto originalmente publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 10 de novembro de 2019.

Roberto Rodrigues
Embaixador da FAO para o Cooperativismo e Diretor do Departamento de Agronegócios da FGV - FGV
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
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