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Usinas sucroalcooleiras pedem socorro ao governo
Publicado em 23/03/2020 às 10h56
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Os produtores de etanol estão organizando uma lista de pedidos de socorro ao governo federal em meio à dupla crise que golpeou neste mês o segmento: o colapso da demanda por causa do coronavírus e o tombo do petróleo derivado de divergências entre Arábia Saudita e Rússia.

O Valor apurou que, de imediato, as empresas querem que o governo autorize o não recolhimento de PIS e Cofins por 120 dias, que seriam pagos posteriormente, ainda neste ano fiscal. Com isso, a expectativa é que as usinas tenham reforço em seu capital de giro para iniciar a safra que começará em abril (2020/21), garantindo o pagamento das despesas. Os grupos do segmento pagam R$ 0,1309 por litro de PIS e Cofins.

A segunda reivindicação é a criação de uma linha de financiamento do BNDES atrelada ao programa federal RenovaBio para garantir ao menos a manutenção dos investimentos em produtividade, que não podem deixar de ser feitos sob pena de deterioração dos canaviais e redução dos ganhos nas safras seguintes. A ideia que está em gestação é que apenas as usinas certificadas para participarem do RenovaBio tenham acesso a esse recurso.

Circula também entre alguns membros do setor uma proposta de elevação da alíquota da Cide sobre a gasolina- hoje em R$ 0,10 por litro. Segundo uma fonte, a medida poderia melhorar a competitividade do etanol hidratado ante o combustível fóssil mesmo ante vendas anêmicas.

As discussões estão em curso entre as associações representantes das usinas, como a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) e a União Nacional do Etanol de Milho (Unem), e entidades estaduais. Também participam o Ministério de Minas e Energia (MME) e o BNDES, conforme uma fonte. O conjunto de pedidos será "aprimorado" antes de ser apresentado ao comitê de crise do governo.

Não se trata de uma articulação isolada no setor privado. Quase todas as cadeias produtivas estão se organizando para pedir alívio fiscal e socorro financeiro ao governo, já que a pandemia da covid-19 exige medidas de controle de circulação das pessoas que levam inevitavelmente a um choque na demanda.

A chegada do coronavírus no Brasil virou de ponta-cabeça o cenário alvissareiro que se armava para a próxima safra de cana no país. Após dois anos de preços de açúcar em patamares muitas vezes abaixo do custo de muitos produtores, o déficit global de oferta vinha oferecendo suporte aos preços. Além disso, o dólar vinha se mostrando cada vez mais favorável às exportações. Paralelamente, as perspectivas para o etanol eram de preços ainda sustentados por causa do consumo interno de combustíveis aquecido.

Em 15 dias, tudo mudou. Na primeira quinzena de março, as alterações no comportamento do consumidor foram mais significativas em São Paulo, mas sem um padrão, segundo Sergio Massilon, presidente da Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom). "Mas as previsões para a segunda quinzena nos parecem sombrias, com provável queda significativa de demanda de combustíveis". Em breve, afirmou, as distribuidoras e revendedoras verão "um aumento nos estoques, em função das obrigações contratuais com os fornecedores, mormente com a Petrobras ".

Para piorar, a guerra do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia, que não querem perder participação de mercado num cenário de redução de consumo, nem começou a se refletir nos preços da gasolina nos postos brasileiros.

Desde que os sauditas decidiram inundar o mundo de petróleo, em 8 de março, a Petrobras já cortou o preço da gasolina A (sem etanol anidro) nas refinarias em 20%. Nas bombas, a queda foi de 1%, na semana até o dia 21, segundo a ANP. Nesse período, o etanol hidratado já não estava mais competitivo que a gasolina nos principais polos de consumo, como São Paulo e Minas.

Para alguns analistas, o preço do etanol terá que recuar muito para retomar competitividade. "A acomodação da menor demanda se dará por um ajuste na paridade entre gasolina e etanol. Ou seja, o etanol será escoado e a menor demanda recairá sobre a gasolina", avalia Luis Gustavo Correa, sócio da FG/A.

"O risco é termos margem negativa no etanol se não mudar o cenário", disse Luiz Gustavo Junqueira, diretor comercial da Usina Alta Mogiana, de São Joaquim da Barra (SP). Ele estima que, se a gasolina C absorver toda a pressão do petróleo, o etanol será vendido na porta das usinas a R$ 1,80 - preço que, para muitos, já não cobre todos os custos.

A tábua de salvação ainda pode ser o açúcar, já que muitas usinas conseguiram travar antecipadamente preço de exportação para a nova safra, além de receitas adicionais com cogeração de energia.
Fonte: Valor Economico
Texto extraído do boletim SCA
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