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Gigante de etanol dos EUA quer reduzir dependência do governo
Publicado em 10/08/2020 às 08h48
Produtores de etanol nos Estados Unidos dependem há anos de uma política do governo que obriga o uso de biocombustíveis. Mas a gigante do setor Green Plains quer romper com essa dependência. A empresa resolveu diversificar e está investindo em produtos como proteínas de alta qualidade, ração para peixes e álcool gel.

Com sede em Omaha, Nebraska, a Green Plains perdeu as esperanças de que o setor de etanol receberá o apoio necessário de segmentos do governo Trump, disse o CEO Todd Becker. Como resultado, está investindo em produtos que neutralizarão, a partir de 2023, qualquer impacto da volatilidade do etanol nos lucros.

Produtores de etanol têm sido afetados pela rápida expansão, que saturou o mercado justo quando a China não está importando, mesmo depois do acordo comercial fechado pelo presidente Donald Trump. Defensores da indústria também argumentam que a política da Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) de isentar algumas refinarias de petróleo dos requisitos de mistura agrava o problema.

"Vamos gastar meio bilhão de dólares para transformar esta empresa para que ela não dependa da política do governo", disse Becker em entrevista. A EPA "não é amiga do etanol. Eles fizeram tudo o que podiam para destruir o mercado."

O setor de etanol dos EUA nasceu do apoio do governo. Na década de 1970, o então presidente Jimmy Carter pediu aos líderes do agronegócio para produzir biocombustíveis e reduzir a dependência do petróleo. A Archer-Daniels-Midland iniciou a produção em 1978. O setor teve outro impulso em 2007, quando o Padrão de Combustíveis Renováveis ampliou o mandato de misturar o etanol à gasolina.

A EPA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

A diversificação dos negócios além do etanol já fazia parte dos planos da Green Plains. Mas o coronavírus e as paralisações tiraram os carros das estradas, reduzindo a demanda por combustível. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos flexibilizaram as regras sobre o tipo de álcool que pode ser usado em desinfetantes para as mãos, permitindo que algumas empresas, que normalmente processam grãos em combustível ou outros tipos de álcool, acessem mais facilmente esse mercado.

A Green Plains destinou duas de suas usinas para produzir cerca de 340 milhões de litros de álcool desinfetante por ano e, nesta semana, anunciou um contrato com a Reckitt Benckiser, fabricante da marca Lysol, até 2021.

Embora haja dúvidas sobre se as novas fontes de demanda vão durar no mundo pós-Covid, Becker vê potencial até 2022 e quer fazer parte desse mercado no longo prazo. É por isso que a empresa está modernizando as usinas.

"Estamos fazendo um upgrade para garantir que faremos parte da cadeia de suprimentos para sempre", disse Becker. "Não vejo consumidores relaxando o comportamento nos próximos 12 a 18 meses. A limpeza faz parte do nosso DNA agora."
Fonte: Bloomberg
Texto extraído do portal UOL
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