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Queixa de caminhoneiros não é nosso problema, diz presidente da Petrobras
Publicado em 29/01/2021 às 08h55
Em meio a ameaças de uma nova greve dos caminhoneiros, no dia 1º de fevereiro, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que a dificuldade enfrentada pela categoria passa pelo excesso da frota de caminhões no país e que isso "não se trata de um problema" da petroleira. Sobre o pedido do setor para que os preços do derivado sejam reduzidos, o executivo alegou que o diesel vendido no Brasil "não é caro nem barato", e sim alinhado ao mercado.

"Os caminhoneiros autônomos têm uma frota cuja idade média é de 20,5 anos. São caminhões antigos, altamente consumidores de diesel... O custo do diesel é muito mais alto para eles. O custo de manutenção é evidentemente mais alto. Então trata-se de um problema de excesso de oferta, não se trata de um problema da Petrobras", afirmou Castello Branco ontem durante evento on-line do Credit Suisse.

A Petrobras chegou a ficar quase um mês sem reajustar o diesel, nas refinarias, mesmo diante da valorização de 8,9% do barril do tipo Brent no período. Na quarta-feira, a empresa aumentou o preço do litro do derivado em 4,4%. Foi a primeira alta do ano.

Mesmo assim, concorrentes da petroleira, representados pela Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, afirmam que a estatal não reajustou tudo o que poderia. Importadores acusam a empresa de praticar preços abaixo da paridade internacional, ante as ameaças de greve.

No mesmo dia em que a Petrobras reajustou o diesel, o presidente Jair Bolsonaro fez um apelo para que os caminhoneiros não parassem. Disse que busca alternativas para mitigar os efeitos da alta do combustível, mas que a solução "não é fácil". O presidente acenou que está disposto a reduzir impostos federais para baratear o derivado, mas que espera que os governadores também reduzam ICMS.

Bolsonaro disse ainda que considera "razoável" o preço do diesel nas refinarias. Ontem, foi a vez de Castello Branco alegar que o preço final do derivado no país não é caro. Ele citou uma pesquisa do site Global Petrol Prices, que monitora 165 países. No dia 18 de janeiro, o preço para o consumidor, no Brasil, estava 26,7% abaixo da média global. "O preço do diesel e demais combustíveis no Brasil não é caro nem barato, é o preço de mercado. A Petrobras não está tendo perdas com isso", afirmou.

A Abicom acusa a Petrobras de praticar preços abaixo do preço de paridade de importação (PPI) desde meados de 2020 e estima que, mesmo com o reajuste de quarta-feira, a estatal segue vendendo o litro do diesel com uma defasagem média de R$ 0,23. A consultoria global StoneX também calcula que há espaço para novos aumentos. Considerando o histórico dos reajustes da Petrobras, a StoneX estima que ainda há uma perspectiva de alta de R$ 0,16 o litro nas refinarias. Já a XP Investimentos destacou que, se persistir por mais tempo, a manutenção dos descontos da estatal em relação ao PPI pode aumentar a percepção de risco sobre as ações da companhia. A defasagem estimada pela XP alcançou 14% na quarta-feira.

Castello Branco nega. Disse que há no mercado um excesso de "comentaristas de futebol" querendo opinar sobre os preços. "Posso garantir que em 2019 e 2020 a Petrobras praticou paridade de preço de importação. Mas o PPI não é um valor absoluto,"

Ele saiu em defesa da política de preços da empresa, que abandonou desde 2019 a periodicidade de reajustes. O executivo afirmou que a estatal será "paciente e cautelosa" no repasse de volatilidades aos preços internos e que a companhia não pretende mais exercer poder de monopólio, como fez entre 2015 e 2017, quando praticou margens elevadas. "A Petrobras não será mais a vilã dos preços."

Castello Branco comentou também sobre as perspectivas de venda da fatia remanescente de 37,5% da companhia na BR Distribuidora. Disse que a estatal está com um "dedo no gatilho" à espera do melhor momento para fazer a oferta das ações e que não avançou até agora porque o papel da BR estava "claramente subvalorizado".

"Fico feliz com a decisão do conselho da BR de ter convidado o Wilson Ferreira Jr. para ser o novo presidente. O Wilson é um profissional conhecido, tem um histórico muito bom em grandes empresas e acredito e o mercado concorda comigo, dada a reação dos preços da BR [após o anúncio do novo presidente]", disse o executivo.
Fonte: Valor Econômico
Texto publicado no boletim SCA
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