Este site utiliza cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência. Ao continuar navegando
você concorda com nossa política de privacidade. Política de Privacidade

Facebook
Instagram
Linkedin
Twitter
Youtube
Fale Conosco
Bosch aposta em etanol no carro elétrico
Publicado em 11/05/2021 às 08h43
Foto Notícia
Imagine um carro totalmente elétrico que dispensa a tomada para carregar a bateria e que pode ser abastecido em qualquer posto de combustível. O uso do etanol para gerar hidrogênio e, a partir desse elemento químico, produzir eletricidade, ainda está em estudos. Mas pode ser o caminho para o Brasil compensar atrasos na evolução dos veículos e participar do processo global de eletrificação, segundo disse, ontem, Besaliel Botelho, presidente da Bosch na América Latina, durante Live do Valor.

"Para o Brasil, esse é o momento certo de participar dessa tecnologia globalmente e não ficar só esperando que as novas tecnologias desenvolvidas fora sejam trazidas ao país", destacou.

Separar o hidrogênio do etanol para produzir eletricidade por meio de processo químico, dentro do próprio veículo, evita a necessidade de carregar o cilindro do hidrogênio, algo complicado e que compromete a segurança. Dispensa também as baterias. Por isso, essa tecnologia tende a disputar espaço com a indústria de baterias, que tem evoluído na redução de preços, com produtos mais leves e que garantem maior autonomia para o veículo.

Para Botelho, a diferença é que nem toda eletricidade para baterias tem origem em fontes renováveis, ao contrário da célula de combustível que produz hidrogênio a partir de etanol. "Esse é o momento de sermos novamente protagonistas", destaca.

O protagonismo brasileiro citado pelo executivo refere-se à chamada tecnologia "flex", que permitiu o uso de etanol, gasolina ou a mistura dos dois combustíveis no mesmo tanque. Botelho atuou ativamente nos projetos que levaram ao surgimento dos carros com motor flex, em 2003, e que acabaram com o receio do consumidor de depender da oscilação nos preços de um único combustível.

A Bosch tem plano global para investir ? 1 bilhão no projeto do hidrogênio entre 2021 e 2024. Para Botelho, no Brasil, enquanto esse tipo de tecnologia a partir do etanol não avança é possível compensar o tempo perdido no desenvolvimento do carro elétrico por meio da intensificação na produção de híbridos que possam ser abastecidos com etanol. É preciso pensar numa "ponte", como diz o executivo, para inserir o país no contexto mundial de eletrificação dos transportes.

Ele lembra que os países da Europa têm fixado prazos entre 2025 e 2030 como limites para o fim das vendas de veículos com motores a combustão. O retorno dos Estados Unidos ao Acordo de Paris, para reduzir o aquecimento global, tende a acelerar esse processo ainda mais. O executivo estima que em 2030, 60% dos veículos vendidos no mundo serão 100% elétricos ou híbridos.

Como todas as grandes empresas do setor automotivo, a Bosch também tem enfrentado problemas com a escassez de semicondutores, cuja produção se concentra na Ásia. Segundo Botelho, a crise no fornecimento de chips tende a piorar neste mês e no próximo. "Os microprocessadores e a eletrônica estão cada vez mais presentes em tudo o que usamos; não poderia ser diferente nos veículos. Acredito que a regularização [do fornecimento] será ainda lenta em 2022", destaca.

Ele considera difícil, porém, pensar em instalação de fabricantes desses componentes no Brasil. "É uma indústria que depende de uma base forte de fornecedores e que demanda altos investimentos. Não adianta ter só iniciativa privada envolvida; isso tem que passar por uma política de Estado".

O executivo acredita, por outro lado, que o potencial brasileiro atrai investimentos. Ontem a Bosch anunciou um plano de R$ 170 milhões para nacionalizar uma linha de produção de injetores de motores a diesel em Curitiba.

Trata-se de uma oportunidade de o Brasil vender a outros países produtos que começam a deixar de ser fabricados em outras regiões. "Essa linha vai abastecer Europa e Estados Unidos", destaca. "O Brasil precisa buscar na manufatura o eixo para a exportação".

Ao mesmo tempo, afirma Botelho, o país precisa aprovar a reforma tributária como forma de parar de exportar impostos. Além disso, segundo ele, a insegurança jurídica "é a dúvida que preocupa todos lá fora".

Para o executivo, os problemas do Brasil são anteriores à crise sanitária. Mas o país acaba sempre por despertar interesse. "O Brasil é um gigante que abre o olho de vez em quando e aí todo o mundo acha que é o momento".

Apesar de um ano bastante adverso, a Bosch elevou a receita no ano passado. A operação na América Latina alcançou faturamento de R$ 6,9 bilhões, aumento de quase 6% na comparação com o ano anterior. Com 8,2 mil funcionários, a subsidiária brasileira respondeu por 74% do volume de vendas na região. Dos R$ 5,1 bilhões de receita no país, 26% foram obtidos com exportações para América Latina, América do Norte e Europa.

"Conseguimos aumentar vendas e não demitir um único funcionário num ano difícil, com pandemia e falta de componentes", afirma Botelho, que elogia o programa governamental que reduziu salários e jornada. "Foi a forma de preservar o emprego".

Para ele, grandes companhias que apostam no país aprenderam a viver com as crises e a lidar com elas. "A gente sempre acredita que o gigante vai abrir o olho, levantar as pernas e começar a andar".
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
Notícias de outros veículos são oferecidas como mera prestação de serviço
e não refletem necessariamente a visão da UDOP.
Mais Lidas