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Batatais avalia compra de usina de cana da Cargill
Publicado em 02/06/2021 às 09h43
A Usina Batatais, do empresário Bernardo Biagi, está avaliando a compra da usina Central Energética Vale do Sapucaí (Cevasa), da multinacional americana Cargill, conforme apurou o Valor com uma fonte a par das conversas. Se o negócio se confirmar, será mais um passo de redução da participação da gigante de alimentos no setor sucroalcooleiro no Brasil. Procurada, a Cargill disse que "não comenta rumores de mercado". Bernardo Biagi, por sua vez, preferiu não comentar.

Neste ano, a Cargill já sacramentou sua saída do ramo de trading global de açúcar ao vender os 50% de sua participação na Alvean para sua sócia, a brasileira Copersucar. A transação foi aprovada ontem pela Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que entendeu que o negócio não prejudica a competitividade no comércio internacional de açúcar.

A Cevasa está localizada em Patrocínio Paulista (SP), a 15 quilômetros em linha reta da Usina Batatais, localizada em município de mesmo nome. Na safra passada (2020/21), a Batatais processou 4,4 milhões de toneladas de cana, e a Cevasa moeu 2,6 milhões de toneladas.

Além dessa unidade, a múlti americana também tem 50% de participação na SJC Bioenergia, uma joint venture criada em 2011 com a Usina São João. A empresa possui duas usinas em Goiás e foi uma das pioneiras no processamento de cana e milho em um mesmo complexo industrial. Na safra passada, a SJC processou de matéria-prima o equivalente a 9,5 milhões de toneladas de cana.

Para a transação da Cevasa, a Cargill contratou como assessora financeira a consultoria Mazars, enquanto a Batatais contratou como assessores o escritório de advocacia LO Baptista e o ItaúBBA, segundo uma fonte. O LO Baptista Advogados não se manifestou. O Itaú BBA disse que não comenta transações específicas. A Mazars não retornou até o fechamento.

A múlti entrou no negócio em 2006, quando comprou 63% de participação na usina, que pertencia a Maurilio Biagi Filho, enquanto os demais 33% seguiram com diversos fazendeiros da região por meio da empresa Canagril. Em 2017, a Cargill exerceu a opção de compra das ações da Canagril e tornou-se a única dona da Cevasa.

Nos últimos anos, porém, a Cargill passou a buscar um comprador, após uma sucessão de crises no setor na década passada afugentar investidores estrangeiros. A dificuldade para se desfazer do ativo, porém, era o excesso de unidades à venda e, na época, a falta de perspectiva firme de recuperação.

A Cargill também chegou a ter participações indiretas no setor quando era cotista da gestora Black River. Em 2015, a gestora comprou as usinas do grupo Ruette, que mudou de nome para Tietê Agroindustrial. Hoje, a usina pertence a um grupo asiático, que comprou o ativo da gestora Proterra em 2020.

O cenário macroeconômico e setorial vem melhorando desde o ano passado e favorecendo novos negócios. De janeiro a maio, a receita com exportação de açúcar do Brasil saltou 20% em relação a igual período de 2020 - ano já de exportações recorde.

Em meio à melhora do cenário, surgiram movimentos de consolidação. Entre as transações está a compra da Biosev, controlada pela francesa Louisa Dreyfus Company (LDC), pela Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
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