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Brasil começa a trilhar o caminho da transição energética com mais segurança
Evolução em tecnologia e regulação do setor incentivou investimentos e reduziu custo de fontes alternativas, mas dependência de hidrelétricas ainda é alta
Publicado em 03/01/2022 às 07h50
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A trajetória do setor elétrico brasileiro nos últimos 20 anos poderia ser contada como uma novela de drama. Desde o racionamento de 2001, a falta de planejamento e de investimento deixaram o país à beira de um apagão. Em paralelo, no entanto, existe uma outra história, protagonizada pelas energias de origem renovável.

À paisagem do Brasil foram incorporados os cataventos dos parques eólicos, as placas fotovoltaicas nos telhados, os biodigestores nas propriedades rurais.

Nos últimos dez anos, avanços tecnológicos e regulatórios permitiram uma redução expressiva no custo dessas energias. Embora ainda extremamente dependente das hidrelétricas --- que são limpas mas, ao mesmo tempo, um problema diante da grave crise hídrica que se instalou no país, com falta de chuvas, reservatórios vazios e acionamento emergencial de usinas térmicas ---, o Brasil começa a trilhar o caminho da transição energética com mais segurança.

A presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, Elbia Gannoum, lembra que em 2009, quando foi realizado o primeiro leilão exclusivo para essa fonte, houve participação de 71 empreendimentos com capacidade somada de 1 GW.

Hoje a capacidade instalada das usinas eólicas é de 21 GW, um crescimento superior a 20 vezes. Essa energia já responde por praticamente todo o abastecimento da região Nordeste.

No Estado do Rio, a infraestrutura da cadeia de óleo e gás pode ser aproveitada para a produção de energia eólica offshore, como lembra Luiz Césio Caetano, presidente em exercício da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).

A energia solar, por sua vez, experimentou um boom em 2020. O salto não se deu nas grandes usinas, mas em residências, propriedades rurais, e pequenas e médias empresas que produzem a própria energia.

"Temos 7,6 GW, mais de meia Itaipu, em sistemas solares nos telhados", comemora o CEO da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia.

Menos conhecida, a energia gerada por biomassa é uma grande promessa em um país onde a agroindústria tem sido a locomotiva da economia. O biogás pode ser produzido a partir de resíduos sólidos urbanos, mas é no campo que seu potencial o torna "o pré-sal caipira", na definição do presidente da Associação Brasileira do Biogás, Alessandro Gardeman.

"Se o gás natural é o combustível da transição, o biogás é o destino", diz Gardeman, que é também CEO da Geo Biogás &Tech, empresa que desenvolveu uma tecnologia de biodigestão de resíduos da cana-de-açúcar em grande escala e aposta em joint-ventures com empresas da agroindústria.

Essa evolução atraiu a Spic Brasil, subsidiária da State Power Investment Corporation of China, a segunda maior geradora de energia do mundo. A Spic tem dois grandes parques eólicos na Paraíba e assumiu, em 2018, a hidrelétrica de São Simão. Seus planos são ambiciosos.

"Queremos ser uma empresa protagonista da transição energética no Brasil. Nosso plano prevê investimentos em energia hídrica, solar, eólica e gás natural, além de projetos-pilotos em hidrogênio, baterias e automatização energética (smartenergy)", diz a CEO da empresa, Adriana Waltrick.

Por trás das perspectivas positivas para a diversificação das fontes de energia do Brasil, estão mudanças regulatórias importantes. Um grande destaque é a regulamentação recente das usinas híbridas. A medida permite todas as combinações, o que terá impacto sobre os custos de produção e, consequentemente, as tarifas.

Além do aspecto econômico, há a pressão internacional. Na última Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP26, na Escócia, o acordo final reconheceu, pela primeira vez, a importância de reduzir o uso de combustíveis fósseis e carvão. O material é amplamente usado nas térmicas acionadas agora para compensar os reservatórios vazios.
Fonte: Portal G1
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