Perspectiva: mercado de grãos continua atento ao ritmo de plantio nos EUA  

20/05/2019 - Investidores do mercado futuro de soja, milho e trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) começam a semana tentando avaliar o ritmo de plantio nos Estados Unidos no último fim de semana. Previsões do tempo indicavam continuidade do clima úmido no país. O andamento das discussões comerciais entre Estados Unidos e China também segue no radar dos traders, assim como o desempenho do dólar ante as principais moedas e o real.

Os futuros de soja terminaram a sexta-feira em queda na CBOT. O vencimento julho caiu 18 cents (2,14%) e fechou a US$ 8,2175/bushel. Ainda assim, na semana, o contrato subiu 1,54%. "Voltou a predominar a preocupação com a China, com a discussão sobre um acordo comercial. Ao longo da semana, a soja também havia subido bastante por influência do milho e da preocupação com o plantio nos EUA. Na sexta-feira houve uma trégua nesse movimento de alta, e voltou a pesar a questão comercial", apontou a analista Ana Luiza Lodi, da INTL FCStone. Para Ana Luiza, há uma preocupação com o número de plantio que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontará na segunda-feira para soja e milho, já que as condições continuam adversas no Meio-Oeste e são esperadas mais chuvas no cinturão nas próximas semanas.

A corretora Labhoro disse, em relatório, que novas informações sobre China e Estados Unidos e prováveis mudanças de área de milho para soja no Meio-Oeste pressionaram as cotações. A corretora apontou que as recentes proibições sobre tecnologia da informação impostas pelos EUA colocaram pressão sobre as negociações comerciais. O Departamento de Comércio norte-americano anunciou que vai adicionar a Huawei e 68 afiliadas em uma lista na qual são barradas de comprar componentes e tecnologias de empresas norte-americanas sem aprovação do governo. A preocupação com os rumos das conversas sino-americanas se intensificou após relatos de que não teriam sido discutidas novas datas de reuniões para dar continuidade à discussão de um acordo bilateral. Fontes ouvidas pela CNBC afirmam que as negociações entre EUA e China parecem ter parado. A China convidou a delegação norte-americana a Pequim e, no início da semana passada, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, pareceu aberto a aceitar a oferta ao dizer que ir até o gigante asiático seria o próximo passo das conversas. Mesmo assim, as fontes dizem que as discussões de agendamento não ocorreram desde que o governo dos EUA publicou o decreto que, na prática, limita as operações da Huawei.

Do lado do plantio, a Labhoro destacou que a grande questão para o mercado é quantos acres podem ser transferidos de milho para soja nos EUA. "Neste momento, ainda não se tem uma previsão de quando os produtores encerrarão o plantio de milho, devido ao solo encharcado." A janela ideal de plantio do milho se encerra no fim de maio. Em relatório, a ARC Mercosul destacou que o foco especulativo continua nos problemas climáticos agravando o atraso da semeadura norte-americana. "Operadores do mercado entendem que a janela de plantio ideal do milho está próxima de encerrar, sendo que a deriva para o cultivo da soja poderá ser agressiva", disse. A consultoria lembrou, entretanto, que os mapas climáticos para o início de junho continuam desfavoráveis, o que pode prejudicar também a continuidade do plantio da oleaginosa.

Conforme a ARC, para os próximos dias, as precipitações continuam com alta recorrência, porém agora com maiores índices pluviométricos. "Tais chuvas são projetadas para durar até o começo de junho", apontou. Segundo a Labhoro, eram esperadas chuvas de até 75 mm nas Planícies do Norte e Centrais, norte do Texas e Oeste e Leste do Cinturão, de até 150 a 175 mm em Oklahoma, sudeste e leste de Kansas, Missouri, sul de Iowa e áreas de Illinois e Dakota do Sul, de até 200 mm no extremo norte de Oklahoma e extremo sul de Kansas.

No caso do milho, os futuros fecharam em alta na sexta-feira na CBOT, subindo pela quinta sessão seguida. O vencimento julho avançou 4,25 cents (1,12%) e terminou a US$ 3,8325/bushel. Na semana, o contrato acumulou ganho de 8,96%, com suporte em indicações de que o plantio de milho no Meio-Oeste continuará significativamente atrasado até que haja um período prolongado de tempo seco.

A AgResource prevê que o USDA projetará na segunda-feira 48% a 52% da área plantada até domingo (19). Na semana passada, produtores tinham semeado 30% da área total, abaixo dos 66% da média dos cinco anos anteriores. A empresa de meteorologia DTN esperava novas chuvas no Meio-Oeste dos EUA a partir do último fim de semana. O clima úmido e frio recente tem atrapalhado os trabalhos de campo na região. Segundo a consultoria de commodities agrícolas Allendale, a previsão de mais umidade em áreas com solo já encharcado "está ameaçando retardar ainda mais a semeadura de milho, o que poderia levar os agricultores a migrar para a soja, que é plantada mais tarde na temporada".

O trigo terminou em queda na sexta-feira na CBOT, com traders embolsando lucros após os futuros subirem cerca de 4% na sessão anterior. O mercado também monitora a oferta do grão. Cole Martin, da Fitch Solutions, afirma que os preços devem ser pressionados por um aumento na produção da União Europeia e na região do Mar Negro. A alta do dólar ante as principais moedas também pesou sobre o cereal, já que afeta a demanda por produto norte-americano. As vendas externas do trigo do país da safra 2018/19 aumentaram 26% na semana encerrada em 9 de maio ante a semana anterior, para 114,5 mil toneladas, segundo o USDA. Para a safra 2019/20, foram vendidas 419,4 mil toneladas. O resultado ficou dentro das estimativas de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que iam de 150 mil toneladas a 550 mil toneladas.

Investidores também aguardam com expectativa o relatório semanal de acompanhamento de safra do USDA. Na semana passada, o USDA mostrou que a safra de primavera tinha sido plantada em 45% da área prevista, ante média de 67% nos cinco anos anteriores. Na CBOT, o vencimento julho do trigo caiu 2,00 cents (0,43%) na sexta-feira, a US$ 4,6500 por bushel. Na semana, entretanto, o contrato subiu 9,48%.


Café: contratos caem 2% na semana

Os contratos futuros de café arábica apresentaram desvalorização de cerca de 2% (180 pontos) na semana passada na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), base vencimento julho de 2019. As cotações encerraram na sexta-feira (17), a 89 centavos de dólar por libra-peso. No período, os contratos marcaram máxima de 92,55 cents (quinta, dia 16) e mínima de 88,45 cents (sexta, dia 17).

O Escritório Carvalhaes, tradicional corretora de Santos (SP), destaca em boletim semanal que o ambiente carregado na política brasileira aumentou as incertezas e derrubou o ânimo do mercado. O dólar disparou, voltando aos níveis de vésperas da eleição presidencial. Na sexta-feira, depois de o dólar fechar acima da barreira psicológica dos 4 reais, as cotações do café foram empurradas para baixo.

Segundo Carvalhaes, a escalada do dólar frente ao real ativou o mercado físico brasileiro. "Os compradores foram subindo suas ofertas dia a dia e cafés arábica de boa qualidade a finos foram comercializados entre 370 e 400 reais, com alguns lotes maiores, com alta porcentagem de peneiras 17 e 18 passando dos 400 reais", comenta.

Carvalhaes pondera, entretanto, que mesmo com mais uma forte alta do dólar frente ao real, a combinação da queda dos contratos de café em Nova York com o término da semana fez os compradores optarem por adiarem novos negócios para a esta semana. "Muitos cafeicultores também preferiram adiar vendas, aguardando uma melhor definição do cenário econômico e político", informa.

A colheita da nova safra avança, mas as chuvas estão atrapalhando bastante os trabalhos em muitas regiões produtoras de café, observa Carvalhaes. A qualidade dos primeiros lotes oferecidos ao mercado preocupa e traz insegurança. "Os cafeicultores torcem para que o período de chuvas acabe e possam trabalhar em ritmo mais regular, conseguindo também uma qualidade média melhor nesta safra de ciclo baixo", conclui.


Açúcar: etanol deve sustentar contratos em NY

O mercado futuro do açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) parece só ter sustentação no etanol brasileiro. O que é muito pouco para os contratos mais líquidos, os quais encerraram a semana em queda diante da pressão do dólar fortalecido, do péssimo humor do mercado com ativos de risco e commodities agrícolas, além do cenário de oferta elevada no curto prazo.

Na sexta-feira, bastou o dólar trabalhar em torno de R$ 4,10 no Brasil para que os futuros do adoçante na ICE Futures US operassem o tempo todo em queda. A máxima do dia no contrato julho foi de 11,76 cents por libra-peso, 2 pontos abaixo do fechamento de quinta-feira. O primeiro suporte, de 11,64 cents, foi rompido com vendas de fundos e o vencimento foi à mínima de 11,43 cents. No fechamento, uma leve recuperação, para 11,55 cents, queda de 23 pontos, ou 1,95%.

No entanto, o mercado avalia que, diante da fraqueza recente, o julho pode testar o suporte de 11,10 cents, a mínima desse contrato, obtida em 27 de setembro de 2018. A primeira resistência está em 11,69 cents.

Leticia Pakulski, Tomas Okuda e Gustavo Porto
Fonte: Broadcast Agro
Notícias de outros veículos são oferecidas como mera prestação de serviço
e não refletem necessariamente a visão da UDOP.
Imprimir