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Mercado só vê petróleo acima de US$ 50 em 2021
Publicado em 30/09/2020 às 11h44
O preço do barril de petróleo deve voltar a superar a marca dos US$ 50 apenas ao término de 2021, afirmaram analistas em evento on-line sobre commodities, promovido pelo jornal "Financial Times". Especialistas da WoodMackenzie, Andurand Capital e Trafigura projetam que, até o fim do próximo ano, a demanda global de petróleo esteja perto dos 100 milhões de barris por dia - em cenário com a existência de vacina contra covid-19 e que pode ser afetado por novas ondas de contaminação nos próximos meses. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) apontam que o consumo mundial hoje está em 91,7 milhões, menor nível desde 2013.

"Trabalhamos com a hipótese de vacinação ao fim do primeiro trimestre de 2021. Isto levaria a demanda por combustíveis aéreos de volta aos níveis de 2019 somente em 2023. Por enquanto, o crescimento do consumo destes combustíveis virá principalmente da China, em voos domésticos", afirmou Ann-Louise Hittle, vice-presidente de pesquisa da consultoria WoodMackenzie.

Já Pierre Andurand, CEO da Andurand Capital, gestora de fundos de hedge especializada no mercado de petróleo, acredita que o pico da demanda global por óleo pode ocorrer entre 2022 e 2026. Para Andurand, a pandemia mostrou os aspectos frágeis da economia global e apontou que melhorar rentabilidade é algo desejado no setor de petróleo. O especialista acredita que, cada vez mais, petroleiras levarão em conta taxações, por emissões de carbono, nas decisões de investimentos. "A pandemia expôs fragilidades do sistema econômico. Isso deveria lembrar a todos que as mudanças climáticas serão muito piores do que o que vivemos hoje, pois não haverá vacina", alertou Andurand.

De olho nas novas dinâmicas do mercado, a Shell demonstrou interesse em ampliar a participação de energia renovável em seu portfólio. O chefe do departamento de energia da Shell Energy Europe, Rupen Tanna, afirmou no evento que há espaço para hidrogênio, gás natural, eólica offshore e energia fotovoltaica no portfólio da empresa, além de discussões em curso sobre carros elétricos e baterias. "Vemos esses negócios como chaves em nosso caminho para alcançar a meta de zerar as emissões", afirmou Tanna. A Shell pretende neutralizar as emissões de carbono totais até 2050.

Também presente na discussão virtual, a chefe da divisão de pesquisa em óleo e gás da Sumitomo Mitsui Banking Corporation, Stavroula Papageorgiou, explicou que as petroleiras terão papel crucial na transição energética. "Estas companhias são bem preparadas e têm acesso a capital, então há espaço para elas na transição, do contrário, não conseguiremos alcançar as metas [de redução de emissões]", afirmou.

Em paralelo, enquanto buscam aumentar a exposição às fontes alternativas, as companhias veem alguns de seus negócios tradicionais ameaçados. Ben Luckock, co-chefe de comercialização de petróleo da Trafigura, comentou que, na crise atual o refino foi um dos mais afetados, e tem trabalhado com margens apertadas. "Haverá uma racionalização no refino e começamos a ver isso. No futuro, para algumas [empresas] sobreviverem, outras precisarão morrer", explicou.

Os especialistas abordaram também um possível impacto da corrida eleitoral americana, nos preços do barril e no setor de petróleo como um todo. Para eles, as eleições nos Estados Unidos não devem ter forte impacto no mercado a curto prazo. Uma possível vitória democrata e o afrouxamento das sanções ao Irã, por exemplo, teriam efeitos apenas a médio prazo, observaram os analistas.

Por sua vez, Hittle, vice-presidente de pesquisa da consultoria WoodMackenzie, acrescentou que a produção de países como Irã e Venezuela ainda terá espaço no mercado até 2030. Isso porque o aumento da produção de petróleo dos Estados Unidos não será suficiente para compensar quedas em outras regiões, por enquanto. "Estes países só precisam se preocupar [com a queda da demanda] ao final da próxima década", disse.
Fonte: Valor Econômico
Texto extraído do boletim SCA
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