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Colheita da cana salva Pernambuco
Publicado em 01/10/2020 às 08h50
Foto Notícia
O início da colheita da safra de cana-de-açúcar 2020-2021 puxou para cima a geração de empregos formais em Pernambuco no mês de agosto. Segundo o Novo Caged, divulgado ontem (30), o saldo (admissões menos demissões) foi de 12.714 vagas. O resultado acompanhou a tendência do Brasil, que encerrou agosto com a criaçãode249.388postoscomcarteira assinada. O Ministro da Economia Paulo Guedes participou da divulgação virtual dos resultados, comemorando que a retomada da economia deverá acontecer em V.

Desde o início do ano, antes mesmo de explodir a pandemia da covid-19, Pernambuco vinha registrando saldo negativo na criação de empregos formais. Entre os meses de maio e junho a situação foi mais crítica. O saldo de vagas só voltou a ficar positivo em julho e agora em agosto, quando o Estado aparece com o melhor resultado do Nordeste, graças ao setor sucroalcooleiro. Este ano, a atividade contou com uma série de fatores positivoseespera uma boa safra. De acordo como Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), a expectativa do setor é gerar 70 mil empregos diretos.

"A estabilidade climática garante a possibilidade de planejar os investimentos sem frustração. A previsão é que a safra seja de 13,3 milhões de toneladas. A previsão de gerar 70 mil empregos é até conservadora se levarmos em consideração que Pernambuco é o Estado que mais emprega na cana no Brasil, por conta da topografia. São 5,5 trabalhadores por mil toneladas de cana. Em agosto, aconteceram as contratações para o início da moagem na Zona da Mata Norte e o Caged ainda deve capturar o emprego da cana em setembro e outubro, porque a safra na Mata Sul começa na segunda quinzena de setembro", detalha do presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha.

Em agosto, os setores que mais contrataram trabalhadores com carteira assinada foram a indústria (5.889) e a agricultura e pecuária (2.661), alinhadas à demanda sucroalcooleira. "No retrato mensal, Pernambuco ocupou a melhor posição no
Nordeste e a quinta melhor do País. Quando se olha para os municípios, os que contrataram acima de mil pessoas foram Igarassu, Lagoa de Itaenga, Vicência, Petrolina e Recife. Aliança está entre os que contrataram entre 500 e mil e Araçoiaba, Camutanga, Timbaúba e Jaboatão dos Guararapes. São municípios ligados à produção da cana-de--açúcar", observa o economista e sócio-diretor da PPK Consultoria, João Rogério Alves Filho.

Na avaliação do economista, o terceiro trimestre do ano será desafiador. Nesta quarta, Guedes sinalizou que o Benefício Emergencial de Prevenção do Emprego e Renda (BEm) poderá ser prorrogado por mais dois meses.

"Se o benefício não for postergado e com o Auxílio Emergencial diminuindo de valor, vamos passar por uma prova de fogo", afirma, dizendo que ninguém quer isso, mas poderá ocorrer demissão em massa. Outra preocupação é com a falta de otimismo no setor de serviços, que tem peso importante para o País e de 76% para Pernambuco.

No acumulado de janeiro a agosto, o Estado ocupa a quinta pior posição do Brasil em saldo negativo de empregos, com saldo negativo de 49.848 vagas. O resultado é pior do que em2016, quando o País ainda estava em recessão e o fechamento de postos de trabalho no Estado foi de 48.486. O último ano que se comemorou um resultado positivo mais consistente foi em 2013 (28.062). Em 2018 e 2019 começou uma discreta recuperação.

"O emprego formal no Brasil vem caindo e o informal crescendo. APNAD Contínua mostrou um desemprego recorde desde os anos 70. A solução de médio e longo prazo é oferecer mais incentivos ao setor produtivo e atrair investimentos em infraestrutura", defende Alves Filho.


Massa de salários encolhe

A perda de trabalho por milhões de brasileiros derrubou a massa de salários em circulação na economia durante a pandemia do novo coronavírus. A massa de salários em circulação na economia encolheu R$ 10,031
bilhões no período de um ano, para R$ 203,016 bilhões, uma queda de 4,7%no trimestre encerrado em julho de 2020 em relação ao mesmo período de 2019.Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad
Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com o trimestre terminado em abril, a massa de renda real encolheu 3,8%, com R$ 8,035 bilhões a menos .O rendimento médio dos trabalhadores ocupados teve alta de 4,8% na comparação com o trimestre até abril, R$ 117 a mais. Em relação ao trimestre encerrado em julho do ano passado, a renda média subiu 8,6%,R$ 200 a mais, para R$ 2.535.

Segundo Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, a renda média vem aumentando porque os trabalhadores informais, com tradicionalmente rendimentos menores, estão perdendo a ocupação.

"À medida em que essa população ocupada informal vai saindo do mercado de trabalho, o que resta são os trabalhadores de maior renda", justificou Adriana.


Desemprego

O Brasil registrou uma perda de7,214 milhões de pessoas ocupadas no mercado de trabalho em apenas um trimestre, segundo os dados da Pnad Contínua do IBGE. A taxa de desemprego passou de 12,6%no trimestre encerrado em abril para 13,8% no trimestre terminado em julho.

A população ocupada desceu ao menor patamar da série histórica iniciada em 2012, com 82,027 milhões de pessoas. A população desocupada, por sua vez, cresceu em 319 mil pessoas em apenas um trimestre, totalizando 13,130
milhões de desempregados.
Adriana Guarda
Fonte: Jornal do Commercio - Pernambuco/PE
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