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UDOP realiza amanhã e quinta 10º Congresso Nacional de Bioenergia  

21/11/2017 - O programa que traça uma política nacional de biocombustíveis com foco na redução da emissão de gases poluentes e a inovação na agroindústria sucroenergética marcarão a 10ª edição do Congresso Nacional de Bioenergia, realizado pela UDOP (União dos Produtores de Bioenergia), em Araçatuba.

O evento promovido amanhã (22) e quinta-feira (23) na Unip (Universidade Paulista) terá painel sobre o Renovabio, apresentação de novidades em tecnologia agrícola e industrial, espaço voltado para startups, além de discussões sobre outros temas ligados ao segmento. A expectativa da organização é atrair mais de 1,5 mil pessoas, entre gestores de usinas, fornecedores de cana-de-açúcar e representantes das empresas de tecnologia, insumos e equipamentos.


Tecnologia

Uma das atrações na área de inovação do evento será um caminhão autônomo da Volvo, que percorre o canavial sem que um motorista interfira nos movimentos do veículo. O congresso terá ainda painéis sobre temas como o ecossistema de startups Agtech, a aplicação de mineração de dados e inteligência artificial no agronegócio, e o monitoramento remoto do canavial.

Segundo o presidente-executivo da UDOP, Antonio Cesar Salibe, o objetivo do enfoque em tecnologia é possibilitar que o setor da bioenergia cresça em produtividade, o que resultaria em produtos finais mais baratos na bomba ou na gôndola. "O que nós precisamos hoje é produzir mais por hectare, com menor custo", afirma.

Salibe avalia que o principal impedimento hoje para a implementação de tecnologia no setor é a situação financeira de uma parte das usinas e destilarias. Um terço das usinas está livre de dívidas e por isso pode investir em inovação, porém há um outro terço tentando sair do buraco e uma última fatia que dificilmente superará sozinha o endividamento, de acordo o presidente-executivo da UDOP.

"O setor teve sete anos em governos Lula e Dilma com congelamento de preços da gasolina para fins eleitoreiros, o que atingiu a gente, porque temos que trabalhar com no máximo 70% do preço da gasolina." Para compensar a desproporção entre o custo da produção do etanol e o valor recebido pelo litro, muitas indústrias do segmento recorreram a empréstimos bancários.

Na safra atual, entre abril e outubro, 18 usinas da região de Araçatuba tiveram uma leve redução no volume moído de cana, que foi compensada pela maior concentração de açúcar por tonelada de cana, conforme a Única (União da Indústria da Cana-de-Açúcar). Foram 32,002 mil toneladas no ciclo 2017/18, 1,8% a menos que as 32,585 mil toneladas de 2016/2017. No mesmo período, o ATR (Açúcar Total Recuperável) subiu de 130,31 quilos para 134,39 quilos por tonelada de cana processada, com alta de 3,1%. Fora isso, a Petrobras adotou uma política de elevação no preço da gasolina que possibilita elevação da cotação do etanol, porém nem todas as usinas conseguem aproveitar os ganhos.

"Hoje, se você considerar o preço de produção do litro do etanol e do quilo de açúcar, o custo está compatível com a venda, mas só para quem não tem endividamento. Quem está com dificuldades, tudo que ganha redireciona para pagar empréstimos", afirma.


RenovaBio

Salibe defende que sem as estratégias do RenovaBio entrarem em vigor, as usinas que estão em dificuldades extremas correm o risco de fechar. Para ele, o programa é necessário não só para o setor, mas para o País como um todo, já que evitaria uma crise de escassez de combustíveis e trará um impacto positivo para o meio ambiente.

"Quando o país sair da crise econômica e voltar a crescer 2,5% a 3% ao ano, vamos ter falta de combustíveis no País em dois ou três anos depois sem o RenovaBio."


País corre risco de ter de importar combustíveis

Conforme o presidente-executivo da UDOP, Antonio Cesar Salibe, não há previsão do aumento de produção de gasolina, e, na condição atual e sem apoio, a produção de etanol também não terá elevação. "O que acontece é que até 2030 precisamos produzir 54 bilhões de litros de etanol por ano, e hoje estamos produzindo 27 bilhões. Se não sair o Renovabio, vamos ter de importar."

Contudo, Salibe considera que a importação prejudicaria a balança comercial, traria altos custos, já que seria necessário também ampliar a tancagem de combustíveis nos portos, e ainda traria despesas para a manutenção de rodovias, já que os combustíveis comprados de outros países entrariam pelos portos de Santos (SP) ou Rio de Janeiro (RJ) e teriam de ser distribuídos para regiões e Estados do interior do Brasil.


Incentivo

A iniciativa tem como objetivo incentivar o aumento da produção de biocombustíveis no País compatível com os compromissos assumidos da COP 21 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), realizada no final de 2015. O Brasil precisa reduzir as emissões de gases do efeito estufa para 43% abaixo dos níveis de 2005 em 2030.

Desde agosto, uma minuta de Medida Provisória para a criação do programa permanece na Casa Civil.

Com a demora do governo, o deputado federal Evandro Gussi (PV-SP) protocolou no último dia 14 um projeto de lei para criação do RenovaBio.

Agora, o setor de produção de bioenergia espera que o projeto tramite em regime de urgência. Segundo Salibe, se isso acontecer, o programa deve ser implementado em aproximadamente dois anos.

Caso contrário, a iniciativa deverá levar de quatro a cinco anos para se concretizar. Para discutir o programa, o congresso sediará o debate "RenovaBio: O ar que queremos respirar em 2030" na tarde de amanhã, com a participação do consultor e membro da sociedade civil no CNPE (Conselho Nacional de política Energética) Plínio Nastari e do diretor de Biocombustíveis do MME (Ministério de Minas e Energia) , Miguel Ivan Lacerda, o secretário de Agricultura de São Paulo, Arnaldo Jardim, e o diretor da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), José Mauro Ferreira Coelho.

O embaixador Marcondes de Carvalho, subsecretário-geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia do MRE (Ministério das Relações Exteriores) e o governador Geraldo Alckmin também foram convidados para participar do evento.

Rafaela Tavares
Fonte: Folha da Região - Araçatuba/SP
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