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Descubra como um grão pode crescer a produção animal no MT  

05/09/2019 - Quando se passou a considerar que o milho era uma boa opção para a produção de etanol no Brasil houve temores de que se reduzisse a quantidade do insumo para a alimentação animal. A ameaça era de que os valores pagos por esse tipo de processamento fossem maiores do que com sua destinação para os plantéis de aves e suínos. O problema, no entanto, não ocorreu. Pelo contrário: a destilação do milho resulta em um coproduto com grande potencial para substituição parcial tanto do milho quanto do farelo de soja. São os DDGS (Grãos Secos de Destilaria com Solúveis), cuja produção pode chegar a 1,2 milhão de toneladas para os próximos dois ou três anos, aponta o Rabobank.

De acordo com Adolfo Fontes, analista do banco holandês, se do total de ração animal projetada em Mato Grosso em 2023 tiver em sua composição 30% de DDGS (considerando aves, suínos, além de confinamento e semi-confinamento de bovinos de corte), haverá uma demanda para mais de 1,1 milhão de toneladas do produto, que, consequentemente, manteria estável a demanda por milho e farelo de soja no estado.

A disponibilidade desse coproduto -- ao invés de subproduto, devido à importância do DDGS -- traz mais opções aos produtores de proteína animal no Mato Grosso, avalia Fontes. Com isso, o custo com ração tende a se manter em patamares bem mais baixos do que em outras regiões do país.

É o baixo custo para a alimentação animal, ressalta o Rabobank, que compensa os desafios logísticos do Mato Grosso. "De fato, o custo logístico para escoar a produção do Médio-Norte do estado do Mato Grosso para os portos ou para os grandes centros de consumo, como a Grande São Paulo, por exemplo, é destacadamente superior ao encontrado em outras regiões produtoras, com o Oeste do Paraná. Porém, a economia com a compra de alimentação animal no estado mais do que compensa a distância em relação aos grandes mercados consumidores", avalia o analista.

Conforme Adolfo Fontes, a relevância mato-grossense dentro do contexto nacional do setor de proteína animal pode ser avaliada pela sua participação no volume adicional que será produzido no Brasil nos próximos anos. Segundo ele, com o crescimento da produção brasileira de carnes bovina, suína e de frango até 2023, espera-se que mais de 20% sejam produzidos em Mato Grosso.

A projeção do Rabobank é de que o crescimento anual para a produção de carne bovina seja de 5%, enquanto a de frango deve avançar 9% e a suína 7% até 2023. Entre os fatores chaves para isso, estão: o histórico positivo de crescimento da produção de proteína animal no estado; a disponibilidade atual e projetada de grãos e DDGS; e o atual processo que visa agregar valor aos grãos via a produção de proteína animal nas fazendo do Mato Grosso.

De acordo com o banco holandês, outro ponto a se destacar é a precificação do DDGS. Conforme a análise, em todo o histórico, o produto apresentou cotações médias cerca de 10% abaixo do valor do milho. Porém, acrescenta o relatório, há períodos em que as cotações ultrapassam o valor do milho.

Os analistas do Rabobank que cobrem o mercado norte-americano, por sua vez, apontam que, embora a qualidade do DDGS tenha se tornado mais consistente dentro de uma planta individual, ela não é consistente de planta para planta. Outro ponto que destacam é que a necessidade de proteína energia é muito diferente entre bovinos e monogástricos, o que também altera a base de negociação do produtor, a depender de suas particularidades nutricionais.

Todas essas características ainda precisam ser testadas no Mato Grosso, ressalta Adolfo Fontes. Segundo ele, contudo, isso sinaliza que tanto as propriedades nutricionais quanto os preços dependem muito de cada fabricante e, até mesmo, de safra para safra. Os analistas do Rabobank consultaram agentes do mercado, que apontaram também que até mesmo a questão de diferentes híbridos de milho ofertados no mercado local tende a impactar na uniformidade do DDGS.

A conclusão dos analistas é de que a expansão do etanol de milho no Mato Grosso e a consequente disponibilidade de DDGS trarão para a cadeia produtiva de proteína animal na região mais uma opção de compra para garantir os nutrientes necessários nas diferentes formulações para a nutrição animal. "Conforme já mencionado, as dinâmicas para esse produto no Brasil ainda serão testadas", afirmam. No entanto, a perspectiva é de que o DDGS represente um ganho relevante de competitividade para o setor nas regiões onde estiver disponível.

Anderson Oliveira
Fonte: Biomassa & Bioenergia
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