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Capitalização da Eletrobras deve dar condições à empresa de ampliar investimentos
Processo traz recursos que dão sustentabilidade para alocá-los no setor de energia e ainda profissionais reconhecidos pela competência na gestão
Publicado em 23/05/2022 às 09h21
Foto Notícia
O processo de capitalização da Eletrobras, aprovado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) na quarta-feira (18), deve fazer com que a companhia passe a ter mais recursos para investir em um setor que demanda grandes aportes, em um momento em que a União não consegue realizá-los, de acordo com especialistas ouvidos pelo CNN Brasil Business.

Segundo os especialistas, com o processo de capitalização, a Eletrobras captará dinheiro de diversos investidores, conseguindo sustentabilidade financeira para alocar esses recursos no setor de energia no Brasil.

"Com a privatização, a Eletrobras passará a atuar em igualdade com os players privados, isso favorecerá sua competitividade e a recuperação da capacidade de investimentos no setor. Com menor ingerência do Estado e redução das políticas de subsídios a empresa ganhará sustentação financeira", afirmou Fabrício Gonçalvez, CEO da Box Asset Management.

Atualmente, a Eletrobras investe cerca R$ 3 bilhões por ano, o que não é suficiente para cobrir a amortização e perdas que a empresa sofre. Segundo a CNN apurou, com a desestatização da companhia, esse número pode subir a R$ 13 bilhões.

Para Sidney Lima, analista de mercado da Top Gain, essa diferença ocorre pois empresas estatais são consideradas arriscadas pelos agentes do mercado dado os problemas de governança que podem ocorrer. Por isso, a captação de recursos do negócio é limitada. O processo de capitalização traz, além de dinheiro, profissionais reconhecidos pela competência na gestão.

"Quando temos a privatização, a empresa abre as portas à atratividade para captação de investimentos de forma mais agressiva, e alinhamento da gestão focada em resultados operacionais de acordo com o interesse dos sócios, e eficiência da empresa", afirmou.

"Essa mudança atrai, e muitas vezes é o fator condicional para que investidores estratégicos e especialistas do setor (no quesito gestão) entrem para o negócio, já que no final o foco é lucro", completou Lima.

Estado perdeu capacidade de investir

A mudança para atrair capital privado para um setor que necessita de investimentos ocorre em meio a um processo de perda da capacidade do Estado em investir.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o nível de investimento direto do governo federal atingiu o menor nível em 17 anos em 2021. O investimento do setor público passou de 2,68% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2020 para 2,05% do PIB no ano passado, o que resvala nas empresas do Estado.

"As empresas públicas, federais e estaduais, foram perdendo capacidade de investimentos ao longo do tempo, trazendo de volta para o debate público a necessidade das privatizações. Por isso, avaliando o histórico, acredito que não teria ou esse tema não retornaria ao centro das discussões", disse Fabrício Gonçalvez, da Box Asset.

Dessa forma, a capitalização da Eletrobras pode trazer, inclusive, mais recursos para que o Estado possa recuperar a capacidade de investimento até mesmo em outros setores. Especialistas preveem que a União consiga cerca de R$ 100 bilhões pela participação que possui na companhia de energia.

"Parte disso vai direto para o caixa do Tesouro. Como o Estado vai utilizar isso fica mais a critério deles. Outra parte maior que a parcela do governo deve ser destinada à conta de um desenvolvimento energético ao longo de um prazo maior, cerca de 25 anos. Isso pode atenuar reajustes tarifários", disse Enrico Cozzolino, head de análise e sócio da Levante Ideias de Investimentos.

"Já uma outra parte, a menor delas, são compromissos de investimento em bacias hidrográficas, com cerca de R$ 10 bilhões", completou.
Fonte: CNN Brasil
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