Este site utiliza cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência. Ao continuar navegando
você concorda com nossa política de privacidade. Política de Privacidade

Empresários cobram "postura ambiciosa" do governo na Cúpula do Clima
Publicado em 20/04/2021 às 17h31
Empresários querem que o governo brasileiro se comprometa com medidas mais ambiciosas na Cúpula de Líderes sobre o Clima, marcada para 5ª (22.abr.2021) e 6ª feira (23.abr).

A falta de diálogo com o Planalto, no entanto, faz com que o grupo pense em ações de "contenção de danos" para minimizar efeitos negativos que a política brasileira possa causar na relação com outros países.

"O setor empresarial está fazendo sua parte, não apenas se posicionando, mas apresentando propostas práticas, com metas e passo claros. Enviamos uma carta aos ministérios da Economia, Meio Ambiente, Agricultura e Relações Exteriores mostrando que, se o Brasil adotar um compromisso de emissão neutra até 2050, terá ganhos econômicos e reputacionais", disse Marina Grossi, presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável) ao jornal O Globo.

O documento é assinado por empresas como Bayer, Braskem, Bradesco, BRF, Ipiranga, Itaú, JBS, Lojas Renner, Marfrig, Natura, Shell, Siemens, Suzano e Votorantim.

Elas afirmam que, com o compromisso da neutralidade, o Brasil pode criar aproximadamente US$ 17 bilhões a partir "de negócios com base na natureza até 2030". A ideia é que haja a redução de 37% na emissão até 2025 e de 41% até 2030.

Segundo os signatários, "o PIB [Produto Interno Bruto] também pode ter um crescimento vertiginoso com a implantação de práticas de baixo carbono, atingindo um ganho total acumulado de R$ 2,8 trilhões até 2030 em relação à trajetória atual".

A Cúpula de Líderes sobre o Clima foi organizada pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que tem uma forte agenda ambiental.

O presidente Jair Bolsonaro enviou uma carta a Biden comprometendo-se a eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030.

O chefe do Executivo brasileiro disse que o Brasil pode antecipar em 10 anos, para 2050, o objetivo de chegar à neutralidade climática. Mas afirmou que, para isso, depende da viabilização de "recursos anuais significativos, que contribuam nesse sentido".

Em resposta, o enviado especial do Clima do governo dos Estados Unidos, John Kerry, disse que a carta é "importante", mas que espera "ações imediatas" e o "engajamento com as populações indígenas e a sociedade civil para que este anúncio possa gerar resultados tangíveis".

A postura do governo federal em dizer que o Brasil é responsável por apenas 3% das emissões mundiais e que é preciso investimento da comunidade internacional para reduzir o desmatamento tem feito alguns empresários temerem pela impressão que o país deixará nos participantes da cúpula.

"Para o diálogo ocorrer, é preciso que as duas partes queiram", declarou Roberto Waack, presidente do conselho do Instituto Arapyaú.

"Para não ficar apenas nas ´notas de repúdio´, há uma clara política de contenção de danos, que tende a ser intensificada se o Brasil sair-se mal na cúpula. Se o governo brasileiro não assume o desmatamento ilegal zero, empresas criam a rastreabilidade da soja e do gado."

Marcello Brito, que integra a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e é presidente do conselho diretor da Associação Brasileira do Agronegócio, disse que o combate à ilegalidade "é o principal fator que irá reverter a imagem do Brasil no mundo". Mas as ações dependem "em sua maioria do Poder Executivo federal, especialmente do Ministério do Meio Ambiente".

Brito afirmou que a coalizão lançou, na semana passada, um manifesto assinado por mais de 280 entidades empresais. O grupo pede uma "postura ambiciosa" do governo.

"Independentemente do resultado da cúpula do clima para o Brasil, é possível avançar em outras agendas. Um exemplo é o alinhamento dos critérios de concessão do crédito rural a políticas e princípios de sustentabilidade. O crédito tem potencial para induzir mudanças em escala no campo."

Segundo Sérgio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas, "a fase das manifestações e cartas acabou". Ele disse que "não vai mais haver o biombo fácil de se esconder atrás do governo. A cúpula vai trazer desafios como nunca foram vistos na área ambiental para empresas brasileiras de todos os setores".
Fonte: Poder 360
Notícias de outros veículos são oferecidas como mera prestação de serviço
e não refletem necessariamente a visão da UDOP.
Mais Lidas