União Nacional da Bioenergia

Este site utiliza cookies para garantir que você obtenha a melhor experiência. Ao continuar navegando
você concorda com nossa política de privacidade. Política de Privacidade

Opinião

Financiamentos verdes, um caminho sustentável - Por: Felipe Mendes
Publicado em Revista Opiniões, Anuário de Sustentabilidade Bioenergetico Guia de Compras 2023, Set-Out 2023
Publicado em 10/11/2023 às 14h08
Foto Notícia
Com as mudanças climáticas à nossa porta e a necessidade de ações concretas para mitigar os seus efeitos, o mercado financeiro desempenha um papel crucial na promoção da sustentabilidade, principalmente, na esfera ambiental. Ao longo dos últimos 5 anos, testemunhei uma transformação significativa no mundo dos negócios, especialmente no que diz respeito à crescente demanda por financiamentos verdes. A emissão de green bonds atingiu a importante marca de USD 2 trilhões no ano passado, representando um crescimento vertiginoso frente à marca de USD 1 trilhão atingida em 2019.

A Tereos, como uma das maiores produtoras de açúcar e bioenergia do Brasil e do mundo, possui a sustentabilidade em sua essência, operando com base na lógica da economia circular, que nos permite maximizar o uso da nossa matéria-prima, a cana-de-açúcar. O compromisso com os princípios ESG é uma das nossas prioridades, refletido em investimentos contínuos para aprimorar nossas operações.

Diante disso, nos últimos anos, atrelamos nosso desenvolvimento econômico a metas sustentáveis. Fomos a primeira empresa do setor sucroenergético a realizar uma transação financeira verde, em 2020. No total, já captamos mais de R$2,3 bilhões em financiamentos sustentáveis, que representa, atualmente, metade da nossa dívida. Essas operações são vinculadas a indicadores-chave, ligados a temas ambientais e, também, sociais, que direcionam nossa estratégia, além da destinação dos recursos estar atrelada a projetos com impacto ambiental positivo.

Um dos principais compromissos que assumimos com os nossos parceiros é com uma economia de baixo carbono. Em nosso negócio, a cana, por si só, é uma cultura renovável que absorve CO? da atmosfera. Além disso, a produção de etanol também contribui com uma emissão de carbono cerca de 70% menor do que a gasolina. Nesse sentido, nossas 2 últimas transações de mercado de capitais foram operações certificadas como verdes, com o destino dos recursos voltado para a produção de biocombustíveis.

Dentro desse cenário, o programa Renovabio tem papel fundamental na estratégia de descarbonização das companhias do setor sucroenergético, ao impulsionar a adoção de práticas que visam à eficiência ambiental das operações. A compra de CBIOs -- créditos que representam uma tonelada de CO? evitada -- pelas distribuidoras de combustíveis incentivou a preservação ambiental das produtoras de etanol e fornecedores de cana, permitindo a comercialização desses créditos na bolsa de valores e incentivando o aumento da produção de etanol.

Na Tereos, visando reduzir ainda mais a nossa pegada de carbono, produzimos também energia gerada a partir da biomassa da cana, contribuindo com uma matriz energética cada vez mais renovável. Além disso, para ampliar a nossa oferta de energia limpa, inauguramos, no ano passado, a nossa primeira planta de biogás, na unidade Cruz Alta, em Olímpia-SP. A planta gera biogás por meio da biodigestão da vinhaça, que pode ser usado como mais uma fonte de energia verde ou, também, para produção de biometano, alternativa ao diesel que pretendemos utilizar em toda a nossa frota canavieira até 2030. Essa primeira planta de biogás e todo o nosso plano de expansão foi financiado pela Proparco, com um empréstimo de 12 anos.

Olhando para o futuro da bioenergia, vemos oportunidades ainda mais empolgantes, que certamente terão no mercado financeiro um importante incentivador dessas soluções, financiando projetos com taxas e prazos adequados. O SAF, da sigla em inglês para combustível de aviação sustentável, representa uma alternativa promissora no setor de transporte aéreo, reduzindo em cerca de 80% as emissões frente ao combustível fóssil. O hidrogênio verde, produzido a partir de fontes renováveis, também ganha destaque como uma fonte de energia limpa com aplicações em diversos setores.

Essas inovações desempenharão um papel fundamental na busca pelo Net Zero e o Brasil certamente pode se tornar uma sólida potência nessas 2 frentes. O governo também exerce papel fundamental nessa jornada de descarbonização, garantindo que as empresas tenham os incentivos necessários e sejam remuneradas pelas externalidades positivas geradas. Empresas como a Tereos estão bem posicionadas para aproveitar essa tendência e contribuir para um futuro mais verde.

Clique aqui para ler este artigo completo e outros conteúdos da Revista Opiniões.
Felipe Mendes
Diretor de Tesouraria, Desenvolvimento de Negócios e Sustentabilidade da Tereos
Fonte: Revista Opiniões
Fique informado em tempo real! Clique AQUI e entre no canal do Telegram da Agência UDOP de Notícias.
Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não representando,
necessariamente, a opinião e os valores defendidos pela UDOP.
Mais Lidas